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mar 10

O poder de Wolff

A dança das cadeiras no fim de 2016 e início de 2017 serviram para comprovar a força e a influência de um dirigente que, até pouco tempo, parecia ser apenas um “aventureiro” dentro da principal categoria do automobilismo mundial. Estou falando de Toto Wolff, chefão da Mercedes e – porque não dizer – o dirigente mais influente da Fórmula 1 atual.

Sim, eu falei “aventureiro”. Era assim que muitas pessoas dentro da Fórmula 1 viam Toto Wolff no início da sua carreira dentro da categoria. Sem sucesso como piloto, o dirigente era um mero acionista dentro da Williams, em 2009, quando começou a querer se envolver mais com categoria. Assim, foi ganhando espaço dentro do time e tomando algumas decisões.

Wolff (E) tem sido o nome forte nos bastidores da F1.

Foi quando, em 2013, surgiu a oportunidade do dirigente adquirir algumas ações da Mercedes e assumir a vaga de comandante do time alemão. Ali Wolff começava a ampliar toda a sua influência dentro da Fórmula 1.

Com o crescimento da Mercedes na temporada de 2014, se tornando a melhor equipe do grid, muito por conta da mudança drástica no regulamento, Toto passou a ser o comandante com mais força dentro da categoria. Afinal, ele era quem mandava e desmandava dentro da equipe que conquistaria os títulos mundiais dos próximos três anos dentro da categoria.

Mas o pensamento de Wolff vai muito além de ser o mandachuva dentro da escuderia mais competitiva do grid. A ideia é ter total influencia dentro de todos os times. Primeiramente, seu comando estava diretamente ligado as equipes que a Mercedes fornecia motores. Foi assim que colocou Wehrlein e Ocon dentro da Manor durante a temporada passada. Mas parece que, nos últimos meses, sua palavra passou a ter grande peso em times que não tinham nada a ver com a equipe sediada em Brackley.

Primeiro, ele surpreendeu a todos ao ajudar Nico Hulkenberg – que estava em uma equipe que tem motores Mercedes, a Force India – a ir para a Renault. Parece estranho que ele tenha participado de uma negociação dessas, certo? Eu também me surpreendi. Ao que tudo indica, a sua amizade com Frederic Vasseur, até então chefe da Renault, tenha ajudado na negociação.

Com a vaga de Hulk aberta, ele usou novamente o seu peso para colocar Esteban Ocon, uma das jovens estrelas da escola de jovens da Mercedes, na Force India.

Até aí, tudo bem. Pelo menos, há uma ligação entre Wolff e os envolvidos. Mas e se eu lhes disser que a ida de Kevin Magnussen para a Haas também teve o dedo de Toto. E aí, onde pode aparecer qualquer ligação? Magnussen é cria da McLaren e havia sido dispensado da Renault. Pelo lado da Haas, trata-se de uma equipe americana que tem uma grande ligação com a Ferrari. Onde Wolff apareceria nesta negociação? Isso só comprova que o dirigente tem feito de tudo para ter uma boa relação com todos do grid. E quando falo em boa relação, estou me referindo a ter influência direta ou indiretamente nas decisões tomadas. Claro, no fundo, ele sempre quer garantir que sua equipe esteja à frente de todos.

Mas as ações do austríaco não param por aí. Quando foi pego de surpresa pela aposentadoria de Rosberg, foi ele o responsável por comandar todas as negociações relacionada a essa dança das cadeiras. Foi assim que ele dirigiu os anúncios em serie de Pascal Wehrlein, na Sauber, Felipe Massa, na Williams, até que, enfim, confirmou a contratação de Valtteri Bottas.

Dias depois, ele ainda fez outra revelação. Quando mostrou interesse em Bottas, foi ele que sugeriu que a Williams convencesse Massa a retornar. E, para que tudo caminhasse do jeito que ele queria, a Mercedes teria ajudado financeiramente na tentativa de convencer o brasileiro a aceitar a proposta feita por Claire – a filha de Frank Williams, por sinal, tem se mostrado uma grande negociadora, mas isso é assunto para outro momento.

Como se não bastasse sua palavra ter grande peso na hora das equipes optarem por contratar ou não um piloto, você poderia imaginar que Toto também foi capaz de interferir em uma decisão interna da Red Bull? Mas ele fez isso.

Tudo aconteceu quando Christian Horner resolveu “barrar” a ida do ex-piloto e pai de Max Verstappen, Jos Verstappen, para as corridas. O dirigente dos taurinos não estava gostando do comportamento do holandês nos bastidores e das suas declarações polêmicas. Toto, como quem não queria nada, criticou a decisão do comandante da RBR, afirmando que a presença do pai nos bastidores era bom para o jovem piloto.

Obviamente, o principal objetivo de Toto nesta situação era tumultuar o ambiente dentro da equipe que se mostrava ser a principal rival da Mercedes nas corridas. Mas ele conseguiu deixar Horner em uma saia justa, que acabou liberando a presença de Jos.

Todas estas situações só comprovam o grande poder que Wolff tem demonstrado ter dentro da Fórmula 1 atual. É claro que, com a chegada da Liberty Media, a sua influência nas decisões sobre o regulamento técnico ou sobre a condução da principal categoria do automobilismo mundial fica ameaçada. Mas depois de ter se mostrado tão influente dentro de quase todas as escuderias do grid, quem poderia duvidar da capacidade dele?

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