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maio 06

Kvyat: De vilão a vítima em menos de uma semana

Estamos vivendo uma semana atípica na Fórmula 1. Normalmente, após um fim de semana de corrida, as notícias costumam vir em um volume não muito grande, principalmente quando vai chegando o meio da semana até a sexta-feira. Entretanto, a Red Bull tratou de acabar com todo esse marasmo.

Kvyat agora correrá na Toro Rosso.

Kvyat agora correrá na Toro Rosso.

Ontem, a equipe resolveu anunciar oficialmente o castigo dado a Daniil Kvyat por se envolver em alguns incidentes nas últimas corridas. Pois bem, passado um dia após a bomba ter estourado nas mãos do russo, dois pontos acabaram chamando a atenção. O primeiro deles, sem dúvidas, é quanto ao mérito de certo ou errado na decisão tomada pelo time comandado por Christian Horner. Mas o que acabou chamando mais a minha atenção foi o fato de como tudo mudou em poucos dias na vida de Kvyat, saindo de vilão a mocinho injustiçado praticamente da noite para o dia.

Primeiro vamos falar sobre a decisão da Red Bull. Não restam dúvidas de que foi uma atitude extremamente radical do time. Entretanto, reluto a dizer que Helmut Marko e cia tomaram a decisão puramente no impulso.

É óbvio que o o incidente entre ele Vettel em Sochi foi apenas o estopim para que uma atitude fosse tomada. Há quem diga até que a Red Bull já iria tirá-lo antes mesmo do GP da Rússia. Ou seja, tem muito mais coisas que ainda estão obscuras.

Enquanto não podemos cravar nada sobre o que realmente aconteceu, o que podemos é julgar se foi certa ou errada a decisão. Não quero me alongar muito na opinião sobre o caso até porque é quase unânime de que foi uma grande sacanagem com o russo. Ao que tudo indica, a Red Bull voltou a acabar com a carreira de um jovem piloto. É torcer para que ele, aos 20 anos, tenha maturidade suficiente para dar a volta por cima.

Mas para ser honesto, o que mais me chamou a atenção nesta história toda foi a forma como Kvyat era tratado até a quarta-feira e como tudo mudou totalmente na manhã da quinta-feira. Fazendo uma comparação bem pouco exagerada, é como se você tivesse um companheiro de trabalho que estivesse fazendo mal o serviço e estivesse de certa forma comprometendo o trabalho da equipe. Você, que quer crescer, fica chateado e critica o seu companheiro. Dai, um dia você chega na empresa e descobre que ele foi demitido. A partir desse momento você começa a vê-lo com outros olhos, começa a enxergar os pontos positivos.

É claro que há pontos discutíveis nesta comparação, mas acho que dá para exemplificar bem a situação de Daniil. Até a quarta-feira, o que se falava era da sua imprudência, de que havia conquistado um pódio na China, mas não vinha bem nas provas anteriores e errou muito feio na Rússia. Mas após o “castigo” todos voltaram a ver os pontos positivos dele – no ano passado foi melhor do que Ricciardo, subiu no pódio em Xangai, etc.

Para completar, a Red Bull, que até poucos dias, era a grande reveladora de talentos, tendo nas suas duas equipes só pilotos revelados por ela – Ricciardo, Kvyat, Sainz e Verstappen -, agora é a grande destruidora de carreiras de jovens pilotos, como foi o caso de Buemi, Alguersuari, etc.

É claro que os dois pontos de vista têm seus fundamentos, mas, como diz o ditado, nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno. A RBR é sim muito feliz no seu programa de jovens pilotos e abre possibilidade para jovens com talento e não com dinheiro. Mas também é responsável por afundar a carreira de outros jovens.

Muitas notícias ainda vão surgir até a próxima etapa, o GP da Espanha que acontecerá no dia 15 de maio. Até lá, está sendo interessante ver os comentários sobre a situação da Red Bull. Provavelmente, em alguns dias, o foco será a capacidade de Verstappen para assumir uma vaga em uma equipe grande com pouco mais de um ano de experiência na F1, mas isso será assunto para outro momento.

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